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O papel dos cartórios na reversão da hiperjudicialização no Brasil

Migalhas - O impacto das serventias e procedimentos extrajudiciais para a redução do quadro de (hiper)judicialização no Brasil


Bernardo Souza Barbosa e Felipe Banwell Ayres


Introdução


O fenômeno da hiperjudicialização no Brasil tem marcas singulares.  Como apontado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na 16ª edição do "Relatório Justiça em Números", o Poder Judiciário brasileiro encerrou o ano judiciário de 2019 com 77, 1 milhões de processos judiciais em tramitação.1 A 17ª edição do "Relatório Justiça em Números" aponta que, a despeito da redução do acervo processual, 75,4 milhões processos judiciais tramitaram no Brasil em 2020, volume processual sem paralelo em outros países do mundo.2


Mas não é só: com mais de 1,1 milhão de profissionais inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o país é o recordista mundial em número de advogados. Além disso, juristas como o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luis Roberto Barroso e o ex-presidente da República Michel Temer sustentam que o país lidera o ranking mundial de ações trabalhistas, com mais de 3,6 milhões ações distribuídas apenas no ano de 2016.


Por sua vez, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que conta com 360 desembargadores, detém o maior acervo processual registrado para um tribunal de justiça, com mais de 20 milhões processos judiciais em tramitação, consoante dados apresentados em 2019.3


Os números paulistas impressionam, mas seguem o padrão nacional: no período de 19 de março de 2020 a 30 de março de 2020, durante o início do agravamento da pandemia da covid-19, os servidores e magistrados atuantes na 1ª instância do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) - o terceiro em volume de processos do país - praticaram nada menos que 973.468 atos processuais.4


Já o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), que possui o segundo maior número de servidores e processos em tramitação, divulgou que - desde o dia 16 de março de 2020, quando iniciou-se o Regime Diferenciado de Atendimento de Urgência (RDAU) - realizou mais de 140 milhões de movimentações processuais.5


Os números dos tribunais superiores caminham em sentido semelhante: em maio de 2020, em entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura, o então Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ministro Dias Toffoli, afirmou que o tribunal é a suprema corte que decide o maior número de casos no mundo. Como exemplo, revelou à época que, em pouco menos de dois meses, o STF já havia recebido 1.800 casos envolvendo a covid-19, proferindo 1.600 decisões.6


Por fim, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) informou que - durante o período de atendimento remoto (iniciado em 16 de março de 2020) proferiu - até o início do mês de outubro de 2021 - nada menos que 1,1 milhão de decisões.7


Clique aqui e confira a íntegra da coluna.

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1 Disponível aqui. Acesso em 14.04.2022. 


2 Disponível aqui. Acesso em 14.04.2022.


3 Acervo das varas da Justiça de São Paulo é o menor dos últimos seis anos


4 Disponível aqui. Acesso em 14.04.2022.


5 Disponível aqui. Acesso em: 14.04.2022.


6 Disponível aqui. Acesso em: 14.04.2022.


7 Disponível aqui. Acesso em: 14.04.2022.


Fonte - Migalhas



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